sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Coração amigavel

Você me disse que eu era sua melhor amiga, me fez prometer que nunca sairia da sua vida, me defendeu, me deixou sem graça, me ajudou, me libertou, me incentivou. Era bom passar as tardes com você, era bom conversar com você, ouvir seus medos, seus segredos, seus pensamentos, seus sonhos. Eu adoro a sensação de liberdade que sua amizade me proporciona. Você já me ensinou tantas coisas. Ensinou a ser forte, a ser humilde, a ser brincalhona e séria, me ensinou a perdoar e esquecer, você era minha teacher. A amizade é libertadora, salvadora e animadora. Você diz que sou sua melhor amiga e me diz pra não guardar segredo. Eu adoro ouvir isso de você. Sempre que lembrar de você vou ter um sorriso no rosto. Você me apoia e reclama comigo, você diz que me ama e me pertuba, você sente minha falta da mesma forma como eu sinto a sua. Adoro quando você pede minha ajuda. Você está nas minhas melhores lembranças de felicidade e amizade. Você está está nas minhas melhores horas. Eu te amo por você ser o que é, por você ser assim, por você ser exatamente você.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Operario no mar

Operario no mar - Drummond

(1444)  

Na rua passa um operário. Como vai firme! Não tem blusa. No conto, no drama, no discurso político, a dor do operário está na blusa azul, de pano grosso, nas mãos grossas, nos pés enormes, nos desconfortos enormes. Esse é um homem comum, apenas mais escuro que os outros, e com uma significação estranha no corpo, que carrega desígnios e segredos. Para onde vai ele, pisando assim tão firme? Não sei. A fábrica ficou lá atrás. Adiante é só o campo, com algumas árvores, o grande anúncio de gasolina americana e os fios, os fios, os fios. O operário não lhe sobra tempo de perceber que eles levam e trazem mensagens, que contam da Rússia, do Araguaia, dos Estados Unidos. Não ouve, na Câmara dos Deputados, o líder oposicionista vociferando. Caminha no campo e apenas repara que ali corre água, que mais adiante faz calor. Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá-lo meu irmão. Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza... Ou talvez seja eu próprio que me despreze a seus olhos. Tenho vergonha e vontade de encará-lo: uma fascinação quase me obriga a pular a janela, a cair em frente dele, sustar-lhe a marcha, pelo menos implorar lhe que suste a marcha. Agora está caminhando no mar. Eu pensava que isso fosse privilégio de alguns santos e de navios. Mas não há nenhuma santidade no operário, e não vejo rodas nem hélices no seu corpo, aparentemente banal. Sinto que o mar se acovardou e deixou-o passar. Onde estão nossos exércitos que não impediram o milagre? Mas agora vejo que o operário está cansado e que se molhou, não muito, mas se molhou, e peixes escorrem de suas mãos. Vejo-o que se volta e me dirige um sorriso úmido. A palidez e confusão do seu rosto são a própria tarde que se decompõe. Daqui a um minuto será noite e estaremos irremediavelmente separados pelas circunstâncias atmosféricas, eu em terra firme, ele no meio do mar. Único e precário agente de ligação entre nós, seu sorriso cada vez mais frio atravessa as grandes massas líquidas, choca-se contra as formações salinas, as fortalezas da costa, as medusas, atravessa tudo e vem beijar-me o rosto, trazer-me uma esperança de compreensão. Sim, quem sabe se um dia o compreenderei?

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Tente ;)



Eu tento ser o melhor na vida das pessoas. Tento fazer minha parte na vida delas. Tento nao esquecer de coisas importantes. Tento ser sincera, humilde e animada. Eu tenho ser forte e determinada. Tento ser a melhor amiga, a melhor irmã, a melhor filha e neta. Tento ser a mais inteligente possivel pra você tirar suas dúvidas comigo. Tento ser honesta. Tento ser bonita, meiga e fofa.
E isso me deixa cada vez mais oca por dentro.
Baby, eu não sou perfeita.
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